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quarta-feira, 30 de março de 2011

Frutos da Instabilidade

Explosivo turbilhão de pensamentos
Colorem a mente, corrompem as barreiras da racionalidade
Impõem uma estaca derivada da razão para perfurar as sensações
Tudo está fora de si, ninguém tem o mundo em que vive
Sendo este criação, denota loucura e até inverdade
No topo de uma árvore vêem-se frutos das frustrações
Maduros para a época de seu arrependimento

Os pés que pisam a terra molhada
Sendo tragados pela infâmia de sua nudez
Pureza e natureza – não têm ligação humana
Não faz de nenhum homem irracional para poder compreender
Disfarçando o choro, olhos molhados de insensatez
Se afogando em uma aurora alagada
Pelos erros e acertos e erros e dúvidas... de um ser que pensa – não se engana.

terça-feira, 29 de março de 2011

Herói – uma questão entre viver, morrer e sobreviver ao tempo

O desespero tomara conta daquele lugar. Ninguém ali sabia o que estava acontecendo, só sabiam que ali tinha muita, mas muita gente correndo desenfreadamente. Ao longe se podiam ouvir os gritos desesperados de uma mãe que provavelmente perdera seu filho na multidão; ao mesmo tempo em que se ouvia também um cachorro que, desnorteado, latia diante daquele tumulto como se perguntasse: “Por quê?”. Logo, as pessoas que por ali passavam e se agregavam à multidão pensaram tratar-se de um incêndio no prédio de onde a maioria das pessoas estavam saindo, outras pensavam em assalto. Quando cheguei lá, confesso, pensei ser mesmo um ato terrorista –não pensaria isso antes das belas torres gêmeas do World Trade Center serem destruídas, mas esse fato me marcou profundamente.
Um senhor que, estranhamente não se juntara à multidão e como eu, estava apenas observando tudo de longe, do barzinho do “Seu” Freitas na esquina, aproximou-se de mim com um ar de indignação, chacoalhando a cabeça levemente. Tratou logo de dizer: “O sujeito que faz isso só quer é chamar atenção. Eu num ligo não, quiser se matar, que se mate de vez e deixa o resto do povo em paz!”
Concluí rapidamente que todo aquele alvoroço tratava-se de alguém tentando suicídio. Não me contive e aproximei-me um pouco mais atravessando a rua. Era mais um na multidão agora, que olhava para aquela janela no 13º andar, onde pude ver a figura de um homem, um jovem homem que, chorando, olhava fixamente para o chão sem dizer uma palavra. Durante uns 10 ou 15 minutos, tudo permaneceu da mesma forma e eu fiquei pensando sobre a vida daquele rapaz, que motivos o levariam a querer acabar com a própria vida? Seriam esses motivos realmente suficientes para se desperdiçara a sua única chance? Não sei. Na verdade, a partir daquele dia passei a pensar mais sobre a vida, sobre o que ela significa e sobre tudo o que a gente faz.
Minutos depois, perdida em meus pensamentos na observação daquele drama, eis que surge uma mulher desesperada, também chorando, acompanhada de uma garota de aproximadamente 14 anos que segurava firmemente a sua mão – eram a mãe e a irmã do rapaz – que a polícia permitiu a entrada para que pudesse haver um acordo que não terminasse em tragédia. Um jornalista e um policial foram liberados para acompanhar as duas, que estavam muito tensas. A multidão, que na expectativa ficara em silêncio, parecia ainda mais mórbida no momento em que as pessoas que entraram no prédio chegaram perto do rapaz.
Enquanto o jovem segurava as mãos de sua mãe e falava com ela, o jornalista ia anotando todas suas palavras, como se previsse (por motivos óbvios) que aquelas palavras poderiam ser as últimas. Assim, com uma conversa de 5 minutos com sua mãe, o rapaz se colocou em pé no parapeito da janela, e abrindo os braços, jogou-se e voou, voou de encontro ao solo com um sorriso no rosto de dever cumprido, sorriso este que fora desintegrado como todo o seu corpo em contato com o solo.
A cena foi chocante para quem viu; pessoas chegaram a passar mal. Perplexa, não quis olhar muito para o corpo que já se encontrava coberto, fiz diferente de todo mundo que saiu de lá: esperei. Esperei pelo jornalista que saiu do prédio calado, pensativo e quando ele estava indo para o carro, fui até ele e apenas indaguei um simples  ‘por quê?’ Ele, sem responder nada, retirou de seu bloco a folha com o curto diálogo que eram as últimas palavras do rapaz com sua mãe. Quando comecei a ler, me vi em meio aquela tensão, e logo fui compreendendo todo aquele aspecto calado do jornalista. Lembro-me como se fosse hoje, nas exatas palavras, o que estava escrito naquele papel:
“Meu filho, por que está fazendo isso? Por acaso não tem uma família, um emprego, uma casa para morar?”
“Mãe, minha mãezinha. Sabe que a senhora sempre foi a melhor mãe do mundo, nunca mediu esforços para nos dar o que precisávamos. Foi uma vida de luta mãe, e te agradeço por tudo isso, mas creio que a senhora nunca soube me compreender, só sabia dizer que eu era um jovem rebelde, que teria que me encaixar na sociedade. Nunca soube enxergar que por trás de qualquer rebeldia aparente existe um desejo de liberdade, um desejo de querer que  a sociedade nos aceite, nos compreenda,  e compreenda também que tem que mudar. Eu, mãe, apesar da minha linha de raciocínio, acabei tendo que submeter os meus valores a essa sociedade. Se eu nada pude fazer  para mudar o mundo, se todo o meu esforço e o de todas as pessoas que tinham um mínimo de consciência não valeu a pena, o que valerá? Heróis são aqueles que tentam salvar o mundo e são lembrados para sempre, e eu acho que eu prefiro morrer do que ser esquecido.”
Foram essas as palavras ditas antes dele retirar seu sapato social, fechar os olhos, abrir os braços e voar para sua liberdade.
Até hoje me lembro da expressão daquele jornalista, a frustração da mãe do rapaz, a indiferença do povo. Talvez vivo ele não tenha conseguido mudar o mundo (ou pelo menos fazer uma pequena parte para que isso aconteça); talvez ele jamais possa ser chamado de herói ou tenha seu rosto estampado pelo mundo todo, mas onde quer que ele esteja hoje, se eu pudesse lhe dizer o quanto essas palavras mudaram minha vida, com certeza o chamaria de herói, pois mesmo que apenas 4 pessoas daquela multidão que o assistia sabibam realmente o porquê da sua morte, e mesmo que aquele papel que o jornalista me deu ainda esteja comigo(talvez por um ato de não-heroísmo ele não tenha publicado), tenho certeza que com essas palavras estarei fazendo minha parte.
                              
(Baseado na música ‘These Days’ da banda Bon Jovi. Escrito em 07/10/2009)

sexta-feira, 25 de março de 2011

(Minha) História de ninguém

Como tudo que passei e que não sou
Não carrego em mim a minha própria história
Oh, egoísmo – quisera eu tê-la para guardar
Sentir ventos de antes, escolher lágrimas para ‘rechorar’
Dividir a dor do passado com a do presente – Nunca somar
Poder abrir um baú e tirar de lá a alegria de uma aurora
Quando não tiver mais dentes ou motivos para sorrir

Para quem então eu fui o que passei?
Se o que passou levou de mim apenas a vida
Construiu lembranças além do meu corpo, além das paredes do meu ser
Torna-me então dúbia a credibilidade em toda história que conheci
Pois nelas são ditas apenas o que deixaram como compreendida
Por outros que ficaram, que tomaram a essência do viver
E não pela mente, pelo que realmente sente aquele de quem se conta
Como ninguém realmente saberá quem sou, fui ou serei
Sempre haverá um ponto dentro da minha alma
Indecifrável e incompreensível
Que só se fosse eu dona da minha história perdida
Saberia reconhecer...




22/03/2011 - Tany

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sacrifício


Quando a escuridão vai caindo sobre a Terra
Meus olhos desejam não se sentirem esmagados
Pela tormenta que sufoca meu peito
Pela dor de viver que não se encerra
Sem sentido de ser, continuo do mesmo jeito
A sacrificar meu coração dilacerado

Que pulsando pela razão
Faz-me manter entalado em sofrimento
Tudo que meu desejo quer gritar
Insensatez, tortura – é o que repete meu sentimento
Em cada choro que derramo em meu coração
- quem dera este não soubesse o que é amar

Se não o soubesse, se os sentimentos fossem apenas uma utopia
Rodeados pela insegurança
Transformam-me em sua escrava de angelical feição
Fazendo de outra pessoa feliz, me confortando nessa alegria
Morrendo, sufocando, sangrando a esperança
Nesse doloroso sacrifício sem ressurreição

Tany - 19/03/2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

The hidden truth on the regarding dance

Get into these words

Taste the flavour of the unchained feelings
Touch the blood with the warmth of your lips
Do not let my hand die, ‘cause
It’s only touching your heart
Can’t see my fingers’s tips?
It’s been crushed; I cannot control your arms


As these words have been dancing
Underneath the feet of the pain
Whispering a soundless melody
That touches deep in the brain
Cannot listen this agony

Running through the veins
The letters hit the heart, scare your sense
The eyes don’t need to know
What the words are talking about
It’s a misfortune, cannot be just a fantasy
Ask your judgement, grab your conscience
Dance with me...

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Ciclo Eterno das Efêmeras Ilusões

A ciranda da vida
Em redemoinho alcança a morte
Gira levando consigo
Sentimentos, apodrecimentos, corações estraçalhados
Sua engrenagem mesmo não sendo férrea
Perfura, rasga, dilacera a alma
Resultando em incontáveis pedaços e tornando impossível
A recontrução, a ressureição, o recomeço
Sua enganosa e impassível ilusão de felicidade
Traz traição, tristeza, crueldade
E sem freios ou redução de velocidade
Continua girando pesada, forçada
E cada um que ajuda a empurrá-la 
Só enxerga em sua frente outros de costa, também empurrando
E essa visão faz com que pressionem cada vez mais a roda da tortura
Afim de que ela os atinja, fazendo dos outros sacrifícios para sua própria salvação
E quanto mais pressionam contra, mais são tragados pela ferragem
Suicidam-se passivamente dia a dia
Como numa Roda de Catarina
Arrancando um por um os membros da essência humana
Refazendo a todos animalescos, primitivos
Pois continuam girando, girando, girando... na roda que sua própria história construiu.


Tany 09/03/2011

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sobre estas palavras...

...Palavras que minha mão insiste em traçar neste caderno velho
Sempre à tinta preta, com uma velha caneta
Negro tom, pois a escuridão de minha alma é maior que a das minhas vestes e da maquiagem dos meus olhos
Escuridão que toma meu corpo toda noite
E faz dele instrumento para se expressar
É um mundo só meu, em que a alma parece transpassar o corpo
Sentindo antes mesmo de acontecer, sofrendo antes mesmo de amanhecer

Dizem de mim amaldiçoada
Seria pecado ouvir a voz da alma?
Enxergar com os olhos em tom de cinza
Fazer da tristeza a vida e da morte a alegria
Lembrar da vívida rosa que seca lentamente entre as páginas de um velho livro
Esperar pelo auge de sua mórbida beleza
E quando ela o atingir, redescobrir seu perfume

Tornar a vida em um eterno luto de auto-piedade
É descobrir um encanto que muitos desconhecem
Viver uma tranquilidade esquecida, perturbadora
Que assusta...
No entanto quem passa a vida esquecendo-se de sua mais misteriosa essência
Chega ao fim sem saber morrer
Quem vive a morte, matando a vida
Vive intensamente, verdadeiramente... sabendo padecer.

01/02/2011
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