Obrigada pela visita! Thank you for your visit! Kiitos käynnistä!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Título em branco.

Ouço falar da liberdade
De entender quem sou
E ao encarar a verdade
Ela já me condenou.

Transcender a existência
De todo o impensado
Revelando a essência
Do que está enraizado.

E descubro que ser
Não é apenas estar
Quando deixo de viver
Para apenas constar.

Em um mundo incoerente
Só há espaço para existir
Quando tudo é diferente
Do padrão que é omitir.

Como devo me encaixar
Em estereótipos tão vagos
Quando até mesmo amar
Já surge em moldes quadrados?

Assim como acontece na poesia,
Os versos fluem sem explicação
E o título sempre é uma nefasta cortesia
Difícil de caber no branco vão.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Morfina


Já são quase quatro da tarde no monitor.
O dia está pegando seu trem de partida
E eu conto com um minuto a mais
Para tentar aliviar essa dor.

São dias e noites e dias que se confundem.
Palavras que machucam, murros que confortam
No desespero da hora que não passa nunca,
Encobrindo o grito com uma música de fundo
Que hoje, de repente, perdeu o significado.

E na intenção de rimar as palavras 
Encontro-me perdida na vastidão de significados.
Tantos são que eu talvez não saiba mais usar,
Apenas prostituir letra a letra para aliviar o desespero
Que outrora, disseram, era passageiro.

Tudo parece perdido - talvez realmente esteja - 
Mas não quero ver, não quero sentir, não quero saber.
Possam as palavras ser outra vez a morfina
Que procuro para aliviar a dor da alma
Para matar no corpo, pouco a pouco
Tudo o que a mente não quer aceitar...
... e ainda não são quatro da tarde.







quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Relógios

Assim a vida passa, mas o tempo fica
Não é possível acompanhar os ponteiros do relógio
Que correm freneticamente, em um segundo eterno
- E de repente tudo é passado.

Manhãs e tardes e noites se confundem
Na mesma cronologia incessante de todos os dias
Que não permite voltas, que não dá folego ao futuro
 - E o presente fica estagnado.

Entre essas horas, minutos, segundos e semanas
Perdem-se lágrimas, desencontram-se sorrisos e gravam-se memórias
Que no embalar angustiante das batidas do relógio dançam
- E, indiferente, o tempo corre parado.

~Tany, 08/09/2016


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sem Título de 29/05/2013

Eles sentaram-se à beira daquele antigo restaurante, buscando abrigo da chuva que havia aumentado significativamente nos últimos minutos. Haviam andado bastante e, mesmo tomando os cuidados que podiam, suas roupas estavam ligeiramente molhadas. Os cabelos dela escorriam água, colados em seu rosto, totalmente encharcados, enquanto apenas algumas gotículas haviam conseguido respingar os cabelos dele, que pendiam sobre sua testa com os sopros leves do vento que insistia em preencher aquela madrugada.
Colocaram seus guarda-chuvas no chão no intuito de que secassem um pouco e continuaram a conversar sabe-se lá sobre o que, pois ela fora totalmente absorvida pela chuva que caía em sua frente.  Ela puxou-o pela jaqueta de couro que ele vestia e fê-lo olhar pelo mesmo ângulo que ela via: as telhas do coberto onde estavam pingando freneticamente toda aquela água, que também corria pelos vãos entre a rua e a calçada em grande volume, ao mesmo tempo em que caía majestosamente, transpassando a luz âmbar do poste de iluminação na esquina em frente.
Ele começou a divagar sobre a jornada daquela água, pensando em quantos milênios e galáxias ela já tinha atravessado para estar ali agora, na sua frente. Começou a decompô-la desde sua magnificente e longa existência até seus mais simples átomos químicos, descrevendo-a da forma mais incrível que ela já tinha ouvido. Enquanto isso, ela apenas admirava a beleza daquele fenômeno natural que tanto a encantava, enxergando aquelas gotas que caíam insistentes com as lentes da arte que carregava naturalmente em seus olhos.
Ela atentava para os diversos sons que aquela cadência de água produzia ao tocar variados materiais. Um barulho mais violento quando se chocava contra a placa de metal da padaria em frente ao restaurante e a suavidade com que batia no chão já tão molhado, aumentando a umidade do ar gelado. O cheiro daquela madrugada molhada, o vento frio cortando por entre a chuva e tocando-lhes a face, tudo incomodamente perfeito!
O êxtase em que se encontravam foi quebrado por ele, dizendo que a chuva estava diminuindo. De fato, ela olhou em direção à luz onde podia ver melhor o fluxo com que a água se precipitava, e teve que concordar com as palavras dele.
Melhor pegarem seus guarda-chuvas e partirem, o espetáculo havia se encerrado e o propósito de estarem ali também. A natureza havia se envergonhado de ter sido observada em sua mais íntima pureza...



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Normalidade

Falam de loucura e de vaidade
A vida como um brinquedo velho
Que por mais gasto que esteja,
Guarda a magia desconhecida da liberdade.


Até que ponto satisfazemos
Os caprichos da nossa sanidade?
Se o próprio viver não conta
Com um prazo de validade
Seria indeterminado o sujeito, o espaço, o tempo
De quem faz sua própria vontade?
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...