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terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Sentimento da Traição


Descobre-se aos poucos
A face coberta e traiçoeira da verdade
Sem sentido, piedade - fruto da então chamada racionalidade
Faz me perceber o quanto vil uma mente pode ser
Sagaz como ave de rapina que voa cercando seu alvo
Dispara, certeiro, golpes fatais que o coração sente
Não fere a carne, açoita então a alma
Que até agora mantinha-se calma
No conforto ilusório de um suposto amor
E amor qual há este de ser? Amor não é só o fogo
Não é só o carinho e o aconchego de colo de mãe
Não é só o espinho da destemperança da paixão
Há amor de sangue, dizem, amor de irmão
Amor declarado, fadado ao destino de TER que existir
E quando apunhalado pelas costas
Já não se sabe se dói mais que um real aço empunhado na carne
Não tem preço a chamada traição
E se insistem em dizer que o sangue enlaça o amor
Eu vos digo, com profunda dor
Que sangra agora meu coração que tanto nisso acreditou.


10/03/2010

sábado, 16 de outubro de 2010

Tuulï



O vago é o que não se vê e sabe-se que existe
Na mente, eloquente, soam sinais de delírio
Pudera eu chamar isto (mas não clamar por isto), ó insanidade
Que trazida dos mais despretensiosos prazeres da mente
Se curva agora, diante dos olhos, sobre a sobriedade

Tão obscuro quanto seu frenético deslize sem par
Escaldando toda a beleza e bondade ante ali presente
Como um espírito que traga a energia
Paradoxo como a luz do dia
Que cega e nos faz enxergar

E, sem ornamentos ou displicência
Faz-se chegar ao interior de quem escolhera
Tomando por negro o coração, esmagando a inocência
Por hora tida como pura malevolência
Dos que a tomam como objeto e desvio de vida

Se faz-se presente aqui, doce amiga dos profundos templos de meu coração
Que me toma, me rodeia, me embriaga e quer me levar
Para um lugar que só a mente de um ser acuado conhece
Este, que se torna fonte do mais precioso ouro da treva
Que a leva, para si, como um canal direto e livre

E para onde mais poderia ir um ser inanimado
Não amado, indiferente
Senão acompanhado de sua treva, ora insanidade da mente
Que refugia, resguarda, toma pra si da mais pura essência
Da alma, que perdida, se entrega aos seus braços como um cão sem dono

16/03/2010


Noite


Sob o luar, milhares de juras
Palavras, promessas, sonhos jogados ao vento
Um amor que se concebe, um crime que se comete
E as estrelas fazem seu julgamento

Tão fria e escura
A noite assiste ao espetáculo da vida
(e da morte, um pouco mais acometida)
Que acontece nos palcos das ruas

Os astros, espectadores
Aplaudem com seu brilho cada ato
Mesmo às vezes presenciando horrores
Continuam em seus postos de bons auditores

E quando a noite se encerra
Nasce sol por trás da serra
Acobertando todo seu espetáculo
Caindo no esquecimento
Todo aquele acontecimento

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Rosalita, a vampira

És tão linda, deslumbrante
Mas garota de triste semblante
Pode se ver em teu pranto
Que até as lágrimas se rendem ao teu encanto

Sozinha ainda permanece
De seu mistério ninguém se esquece
Doce garota amiga do luar
Ai de quem um dia se atrever a te amar!

Mesmo depois de tanto sofrer
Nada quer perder
Suas mãos frias como a morte
Roubam pra ti toda sorte

O que lhe deu a vida hoje é seu alimento
Isto é seu destino, seu tormento
Quando todos almejam a eternidade
Quem a tem, sabe que não é só felicidade

Tudo já mudou ao seu redor, pequena
Mas as noites sempre serão frias e serenas
Agora, como instinto selvagem você sai para caçar
Aqueles que como mulher você deveria amar

Não há nada a mudar entre os seus
Descendência do amaldiçoado de Deus
Mas tens o poder na mão
Tomando a vida eterna que jorra de um coração

Por muitos odiada
Por alguns invejada
Tendo que viver escondida na morte
Mesmo sendo superior e forte

Ou então vão te caçar, te perseguir
Seres humanos não sabem como agir
Diante de algo mais forte e poderoso
De quem até Deus é temeroso...



07/04/2008
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